5ª Rodada do Pré-Sal – Diversidade de operadores

Com a realização da 5ª Rodada de Partilha de Produção pela ANP, encerrou-se um ciclo de seis leilões, desde 2017, quando foi instituído o calendário plurianual de rodadas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que prevê leilões até 2021. Foram arrematados todos os blocos oferecidos, quais sejam, Saturno Titã, Pau-Brasil e Sudoeste de Tartaruga Verde, nas Bacias de Campos e Santos, com a arrecadação de R$ 6,82 bilhões em bônus de assinatura.
A Petrobras arrematou apenas uma área, Sudoeste de Tartaruga Verde, na Bacia de Campos, para a qual já havia manifestado interesse de preferência como operadora. Com a mudança prevista na Lei nº 13.679/2018, a obrigatoriedade da Petrobras ser operadora única dos blocos foi substituída pelo direito de preferência da empresa em atuar como operadora nos blocos no pré-sal e naqueles considerados estratégicos. Sem dúvidas, a mudança do modelo trouxe maiores perspectivas de crescimento para o setor já que, pelo modelo anterior, de operação única da Petrobras no pré-sal, caso a Petrobras decidisse não participar, o leilão sequer seria realizado.
A ExxonMobil liderou o certame e arrematou 21 áreas, por R$ 8,7 bilhões, fortalecendo o seu portfólio de investimentos no Brasil. As empresas Shell, BP e Equinor também estrearam como operadoras no regime de partilha. Também participaram as empresas: Chevron, Qatar Petroleum (QPI), a colombiana Ecopetrol, Repson e Petrogal.
O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Décio Oddone, declarou que a diversificação de operadoras no pré-sal tornará o ritmo de desenvolvimento das reservas brasileiras não mais dependente exclusivamente do ritmo imposto pela Petrobras: “A 5ª Rodada mostra que não estamos mais na dependência de uma única empresa. Sem demérito à Petrobras”.
O fim da operação única, aliado com a flexibilização dos índices de Conteúdo Local, política de redução de royalties para campos com menor potencial exploratório e a extensão do Repetro até 2040, sem dúvidas irá destravar a realização de investimentos que antes estavam em compasso de espera.
Resultado da 5ª Rodada de Partilha de Produção da ANP:
Saturno
O consórcio Shell/Chevron apresentou a melhor oferta pela área de Saturno, no pré-sal da Bacia de Santos – um dos ativos mais caros do leilão, com bônus de assinatura de R$ 3,125 bilhões. O excedente em óleo ofertado foi de 70,2%, ante os 42,49% apresentados pela ExxonMobil e QPI. O ágio foi de 300,23%, ante o percentual mínimo de 17,54%. A Shell será a operadora da área, com 50% de participação, em sociedade com a Chevron (50%).
Titã
O consórcio ExxonMobil/QPI apresentou a melhor oferta pela área de Titã, no pré-sal da Bacia de Santos, também com bônus de assinatura no valor de R$ 3,125 bilhões. O excedente em óleo ofertado foi de 23,49%, ante os 11,65% apresentados pela Shell e Ecopetrol. O ágio foi de 146,48%, ante o percentual mínimo de 9,53%. A ExxonMobil será a operadora da área, com 64% de participação, em sociedade com a QPI (36%).
Pau-Brasil
O consórcio BP/Ecopetrol/CNOOC apresentou a melhor oferta pela área de Pau-Brasil, no pré-sal de Santos, por R$ 500 milhões de bônus de assinatura. O excedente em óleo ofertado foi de 63,79%, ante os 62,40% apresentados pela Total/CNODC/Petrobras. O ágio foi de 157,01%, ante o percentual mínimo de 24,82%. A BP será a operadora da área, com 50% de participação, em sociedade com a Ecopetrol (20%) e CNOOC (30%).
Tartaruga-Verde
A Petrobras apresentou a melhor oferta pela área de Sudoeste de Tartaruga Verde, no pré-sal da Bacia de Campos, por R$ 70 milhões. Não houve concorrência e o excedente em óleo ofertado foi de 10,01%, sem ágio.
Fonte: site ANP e Valor Econômico.